Sermões

18 de Junho de 2015

PERMANECE NAQUILO QUE APRENDESTE

Pr. Elias Garcia Fernandes

PERMANECE NAQUILO QUE APRENDESTE

Texto base 2 Timóteo 3.14-17

 

Introdução

 

            O nosso desejo é concitar os amados leitores para uma rápida reflexão quanto à difícil, árdua, porém sublime tarefa do ensino. O teólogo e escritor Leonard Ravenhill disse algo muito importante acerca da seriedade na busca de conhecimento: “De que adianta conhecimento mais profundo se tivermos os corações mais superficiais”?

Ensinaré instruir, transmitir conhecimentos, repassar informações sobre algo. O melhor ensino que podemos praticar é, sem dúvida, aquele que tem respaldo na palavra de Deus (1 Tm 4.9). Precisamos entender que o mundo secularizado em que vivemos é, direta e indiretamente, um incessante estágio onde, de alguma forma, somos “bombardeados” com informações das mais variadas espécies.

Os meios de comunicação, o contato com o mundo dos negócios e o dia a dia envolto numa mixórdia de coisas variadas acabam impregnando a sociedade com novidades em cima de novidades, razão pela qual estamos sempre à mercê de ensinamentos bons ou ruins.

            Mas graças a Deus pela existência da Bíblia Sagrada entre nós. Ela nos ensina o caminho perfeito (Sl 18.30). Ela afirma, categoricamente, o princípio de toda a sabedoria: o temor do Senhor (Sl 111.10).

            Nosso objetivo nesta mensagem é fazer valer o fundamento bíblico de que, quanto mais sábio for o pregador, tanto mais sabedoria ao povo pode ensinar, e atentar e esquadrinhar (Ec 12.9). 

 

Manda estas coisas e ensina-as

 

            O apóstolo Paulo, já em sua época, advertia quanto à apostasia dos últimos tempos (1 Tm 4.1), principalmente quanto ao perigo do secularismo e do evangelho liberal dos ministros e educadores modernistas (v.2). Daí sua ênfase: “Manda estas coisas e ensina-as” (v.11).

            Com relação a esse versículo, há outras versões que dizem: “Ordene e ensine estas coisas”.  Ordenar vem do grego paraggelo, que significa “determinar”, “dirigir” ou “instruir”. Tanto ensinar (gr. Didasko), como ordenarestão no presente do imperativo e transmitem a ideia de:“ordenar e ensinar continuamente...”. Quanto ao enunciado: “... estas coisas...”, isto está relacionado aos salutares ensinamentos da sã doutrina, ou seja, com aquilo que todo pastor, professor ou ministrante fiel deve transmitir.

            De acordo com o NT, o conceito de ensino significa: instrução na fé. O ensino da fé cristã foi chancelado por Jesus, que foi chamado de Mestre mais do que de qualquer outro título.

 

O ensino na vida cristã

 

            Uma igrejaque se preocupa com o verdadeiro ensino bíblico contribui sobejamente para a maturidade, crescimento e aperfeiçoamento de seus membros. O ensino é vital para o propósito edificador da comunidade cristã (Hb 5.11-14).

            O escritor e teólogo R. N. Champlin, discorrendo sobre este tema, disse: “Aqueles que somente evangelizam, negligenciando o ensino cristão, terão que contentar-se com uma igreja infantil, carnal, com disputas e cisões na igreja local. Um povo faminto espiritualmente, será um povo infeliz. A ausência de ensino cristão arma o palco para a apostasia”.

            O servo de Deus que realmente busca avidamente por um ensino sólido recebe do Espírito Santo a capacitação que o fará caminhar rumo à estatura completa do varão perfeito (Ef 4.13). O aprendizado que molda o caráter cristão por ser assim obtido:

           

a) Através da Bíblia

 

            Estudar a Bíblia - o livro mais importante do mundo - é, antes de tudo, um privilégio. Deus fala conosco através de sua Palavra. É através da Bíblia que podemos conhecer os princípios de uma vida profunda e relevante. É por meio dela que nos deleitamos sobre as verdades do plano redentor e do imenso amor de Deus para com a humanidade.

            Quem lê e medita dia e noite na Palavra adquire sabedoria para trilhar o caminho da retidão (Sl 119.105). A Bíblia nos mostra uma passagem interessante em que Deus anima Josué a não se apartar do livro da lei: “não se aparte da tua boca o livro desta lei, ... medita nele dia e noite, ... faça conforme tudo quanto nele está escrito... então farás prosperar o teu caminho...” (Js 1.8).

Neste versículo o termo meditar, do hebraico hagab, significa “ler refletidamente”, isto é, ler à medida que se pensa (Sl 63.6).  Não podemos conceber a ideia de uma leitura da Bíblia apenas para cumprir, maquinalmente, uma tabela elaborada para este fim. Pouco adianta lermos a Bíblia uma, dez ou cem vezes se os ensinamentos nela contidos não ficarem guardados em nossos corações (Sl 119.11).

            A escritora Kay Arthur, falando sobre a leitura da Bíblia, disse: “Independentemente de quanto você saiba a palavra de Deus, se não aplicar o que aprender, as Escrituras nunca beneficiarão sua vida”.

                       

b) Através da família

 

            A Bíblia precisa ser lida e ensinada no ambiente familiar. Este precioso livro não pode ficar esquecido em cima de um objeto qualquer como se fosse um ‘amuleto’ de proteção. Por falta de conhecimento - leitura da Bíblia - o povo está sendo destruído (Os 4.6). A família - a primeira instituição criada por Deus - tem sido vítima do implacável ataque de Satanás que, cheio de artimanhas, procura desestruturar o lar através de conflito de gerações, incompreensão, insubmissão, desobediência, desamor, traição, etc.

            Todos sofrem com a desarmonia no lar, mas o maior prejuízo, sem dúvida, recai sobre as crianças, pois é nesta fase que ocorre a formação básica do bom ou mau caráter: 50% até aos três anos, 75% até aos cinco anos e 100% até aos sete anos de idade.

            É no lar, e não na igreja, o lugar onde a criança deve aprender os princípios básicos da obediência (Pv 4.1-5). A igreja dará continuidade a esse processo.

           

c) Através da igreja

 

            Ensinar é uma das tarefas atribuídas à igreja que realmente quer cumprir seu papel na grande comissão estabelecida por Jesus, conforme está escrito: “Portanto, ide, ensinai todas as nações...”, “... ensinando-as a guardar todas as coisas...” (Mt 28.19,20).

            Os tempos são findos e a igreja precisa dar prioridade ao ensino da Palavra. Com tantas inovações em termos de liturgia, o povo de Deus corre o risco de uma grande anemia espiritual, haja vista a substituição dos estudos bíblicos por programações paralelas. Substituições do ensino salutar por atividades que visam, a priori, promover climas festivos e de muito entretenimento, mas sem compromisso com o sólido, puro e eficaz alimento: A palavra de Deus.

            As coisas de Deus devem sobrepujar às demais. É óbvio que a prática de cidadania - o uso dos direitos e o fiel cumprimento dos deveres - faz parte da vida do servo de Deus, mas tudo dentro dos limites. Uma igreja totalmente voltada para a preparação de novos discípulos não suporta conviver com uma agenda sobrecarregada de compromissos apenas na área social, política, econômica, etc. A cidadania celestial deve ter primazia em tudo que fazemos.

            Sobre este aspecto precisamos, todos, “ruminar” as seguintes perguntas: Como anda a frequência dos crentes nos cultos de estudo bíblico? Qual é o índice de ausência nas folhas de chamada da escola bíblica dominical? Qual é o grau de interesse por eventos sociais em relação às atividades de ensino? Reflitamos sobre isto!

            A verdade é que há, ainda, muitas igrejas quase vazias. O tempo urge e quando o Senhor deu a ordem: “Portanto, ide”, Ele o fez com um sentido de urgência. Quem tem ouvidos, ouça (Mt 11.15).

 

Ensino de teorias errôneas

 

            Por causa da abundante proliferação de segmentos teológicos as pessoas tornam-se cada vez mais vulneráveis às heresias. Heresia é o abandono da verdade. É o ato pelo qual o indivíduo ou grupo desvia-se do ensino da palavra de Deus para seguir seus próprios pensamentos ou idéias de terceiros, dando ouvidos a espíritos enganadores (1 Tm 4.1,2). Ainda hoje, a oração de Jesus pelos seus discípulos: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17) precisa reverberar em nossas mentes.

            Outro ponto relevante que deve chamar a atenção dos pais, pastores e professores da EBD, diz respeito aos conceitos errôneos ensinados nos cursos seculares, principalmente quanto à teoria evolucionista.  

Trata-se da tese difundida pelo naturalista inglês Charles Darwin, que viveu entre 1809 e 1889. Foi uma tentativa frustrada de lançar dúvida sobre o relato bíblico da criação, através de uma teoria cheia de chavões tais como: “crê-se que...”, “admite-se que...”, “talvez...”, “possivelmente...”, etc. Bom mesmo é crer na Palavra de Deus, pois ela diz, sem circunlóquios: “E criou Deus o homem...” (Gn 1.27). E ponto final.

 

Conclusão

 

            Não há em nenhuma área da imensa lide pedagógica, ensino mais satisfatório, abrangente e mais edificante do que sentir prazer na palavra do Senhor e nela meditar diuturnamente (Sl 1.2). Mas é necessário sentir vontade de aprender e, muito mais, o desejo de ensinar. E é através da meditação nesta Palavra que nos tornamos aptos ao aprendizado e ao ensino.

            Precisamos entender e valorizar os dons que Cristo deu visando o aperfeiçoamento dos santos (Ef 4.11,12). Queridos irmãos, tenhamos em mente que “toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (2 Tm 3.16). Amém.

 

Pr. Elias Garcia Fernandes

- Bacharel em Direito e em Teologia

            - Pós-graduado em Ciências da Religião (FATEBOV)

            - Professor de Liderança Cristã e Pragmática Pastoral no IBA

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