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05 de Novembro de 2014

Filipe, o Crente, o Ministro, o Estudioso...

Pr. João Batista Rosa - Diretor do IBA

Os personagens bíblicos não foram mencionados no texto sagrado por um acaso. Eles estão aí porque têm alguma lição a nos ensinar: seja ela negativa ou positiva. A vida de Filipe (At 8.5-40) pode nos despertar a ver a obra por uma ótica fora dos padrões normais da tradição dogmática de nossos dias. Muitos são os comentários feitos sobre esse nobre homem de Deus. Não quero aqui desfazê-los, e sim, contribuir para o que já foi escrito. Entretanto, nas muitas facetas dadas sobre Ele podemos observar três áreas que julgo importantes, pois contribuem muito ao nosso aprendizado.

Em primeiro lugar ele era um autêntico crente. Em Deus tudo se começa com o crer: “aquele que se aproxima de Deus deve Crer” (Hb 11.6). Com toda certeza os ensinamentos recebidos na família, na sinagoga e no culto do templo foram meios importantes na formação de sua fé. Se Filipe foi contemporâneo de Jesus certamente deve tê-Lo ouvido em seus ensinamentos, ou até mesmo deve tê-Lo visto realizar alguns dos muitos milagres que realizou. Se não, deve ter sido sabatinado por algum de seus discípulos. Que ele teve um encontro real com Jesus isso fica claro, pois o tema de sua mensagem gira em torno do crer em Jesus como condição para a salvação (v.37). O importante é que ele desenvolveu sua fé e não contentou apenas em ser mais um membro neófito que não sabe a que veio. Ali estava um homem que iria causar uma revolução na fé de várias cidades dentro de pouco tempo. Por outro lado, ele revelou ser um crente medroso. Como diácono da igreja de seus dias ele tinha a incumbência e responsabilidade de servir as mesas. Era natural também que a comunidade de Jerusalém e aqueles que a visitavam soubessem de seu envolvimento com a fé cristã. Quando da perseguição aos cristãos motivada por Saulo, ele foi um dos cristãos que fugiram para não ser preso ou morto (At 8.2,3). Sua chegada à Samaria é coincidência e consequência de sua fuga e não porque aquela cidade fosse um campo missionário visualizado por ele. Mesmo porque, de acordo com o que penso, tal iniciativa não tenha passado por sua mente. Porém, isso não foi impedimento para Deus usá-lo de forma extraordinária. Deixo aqui uma interrogação: será que Deus usa o acaso para atingir seus propósitos?

Em segundo lugar ele foi um autêntico ministro, um evangelista tão usado que os sinais acompanhavam sua pregação. Os resultados surgidos através do seu ministério tinham uma característica particular no reino de Deus: produziam “grande alegria naquela cidade” (At 8.8). Como é maravilhoso ouvir, conviver e ser ensinado por um homem escolhido e usado por Deus! Com certeza as coisas feitas por Deus, através de um homem de Deus terão repercussão e permanecerão como um marco edificado para sempre. Bem diferente da avalanche de picaretas e charlatões que ocupam púlpitos por aí falsificando a alegria, os milagres, explorando o povo carente de ouvir gente verdadeiramente chamada por Deus. Filipe anunciava o que viu e ouviu (1 Jo 1.3) como João, um dos líderes da igreja em Jerusalém - eles tinham passado pela experiência da conversão. Isso fica evidente pelo fato de ele oferecer aquilo que anteriormente havia recebido “lhes pregava Cristo” (At 8.5). Um ministro autêntico começa na conversão, prossegue na conversão e termina convertido.

Em terceiro lugar, Filipe era estudioso e muito dedicado. Para que alguém tenha sucesso na área de sua atuação é necessário que esteja bem preparado. Fico impressionado com este texto, pois Deus não usou Filipe por acaso, ele estava apto para ser usado. Aqui aprendo que Deus não vai usar alguém que não tenha condições, que não tenha algo que possa ser utilizado por Deus na realização de sua obra - Deus só nos usa com aquilo que temos. Como estudioso ele foi:

1. Um profundo biblista – “os que andavam dispersos iam por toda parte anunciando a palavra” (At 8.4) incluindo Filipe. Ele conhecia bem o Antigo Testamento, pois entendeu que o etíope lia o profeta Isaías (At 8.30). Conhecia também os ensinos dos apóstolos que têm como fundamento a vida, a morte e a ressurreição de Cristo (Ef 2.20). Portanto, se alguém pensa em ser usado por Deus, fica aqui um aviso: sem Bíblia não dá!

2. Um autêntico hermeneuta – aqui está uma das coisas mais importantes na vida estudantil daquele grande homem de Deus. Ele não somente ouviu o que o etíope estava lendo, como também foi capaz de interpretar aquela porção escriturística (Is 53.7,8). A pergunta de Filipe: “Entendes tu o que lês?” (At 8.30) demonstra que ele tinha estudado esta passagem e conhecia o seu sentido original. No outro polo, a pergunta do etíope demonstra que o sentido da Escritura lhe estava encoberto: “de quem diz isto o profeta? De si mesmo ou de outro?” (At 8.34). Aqui entra o papel do exegeta: “começando nesta Escritura, lhe anunciou a Jesus” (At 8.35). Filipe tinha a capacidade dada por Deus de interpretar corretamente as Escrituras.

3. Um teólogo Cristocêntrico – um teólogo é alguém que estuda Deus e as coisas pertencentes a Ele. Neste particular Filipe percebeu que a segunda pessoa da trindade é aquela que encarnou, sofreu, morreu, ressuscitou e se tornou a causa da salvação para todos os povos. Cristo é o tema central de sua mensagem nas três vezes em que esteve proclamando o evangelho. Na cidade “lhes pregava Cristo”, ao etíope “lhe anunciou a Jesus”, em Azoto, em algumas cidades e em Cesaréia “anunciava o evangelho”. Outro particular teológico na proclamação de Filipe é o Crer. Ele sabia que a fé é o instrumento pelo qual se toma posse dos benefícios que há em Cristo. Muitos habitantes de Samaria - incluindo Simão, um encantador - creram na pregação de Filipe. Ao etíope que queria ser batizado, ele disse: “É lícito, se crês de todo o coração” (At 8.37). Filipe tinha o dom dado por Deus de despertar fé nas pessoas.

O exemplo de Filipe deve motivar a todos aqueles que almejam o episcopado, não se esquecendo de que a trilogia: o ser crente, o ser ministro e o ser estudioso é imprescindível para o sucesso na Obra.

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