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16 de Junho de 2015

CORAGEM PARA DIZER “NÃO”

Pr. Jalmir Batista da Silva (Pastor dirigente - IEADA)

Coragem, essa palavra vem do latim, cor, “coração”.  Termo cujo significado é: firmeza de ânimo ante o perigo, os reveses, os sofrimentos; intrepidez; ousadia; bravura. Podendo ser demonstrada em atos ou atitudes. Não sendo um dom espiritual, mas uma virtude de caráter, uma qualidade mental, moral e espiritual.  
Esta é uma característica muito presente em muitas pessoas, e em várias fases da vida, principalmente na juventude. Em virtude dessa coragem é que normalmente os jovens desafiam limites, se aventuram em esportes radicais pulando de grandes alturas nos rapéis da vida, deslizando sobre seus skates e realizando manobras difíceis, muitos que possuem motocicletas aproveitam para puxar de duas rodas, andando em alta velocidade, etc.
Os jovens, muitas vezes, por causa de sua coragem excessiva chegam a se considerar imortais, quase como super-heróis, assim empregam essa coragem com fins errados e chegam muitas vezes a provocar sofrimentos em si mesmos, em sua família e em outras pessoas.   
Essa virtude de caráter é incentivada (Dt 31.6; Js 1.7; 10.25; 2 Sm 10.12; Fp 1.28), e exemplificada nas Escrituras Sagradas (Calebe Js 14.12; Davi 1 Sm 17.32), não em seu emprego de forma destrutiva, mas construtiva e para a glória de Deus.
Dentre os muitos exemplos positivos encontrados nas Escrituras destacaremos o de um jovem judeu, cujo nome era Daniel, que fazia parte de uma família nobre em Israel e foi deportado para a Babilônia, ainda bem jovem e em condições muito adversas. Naquele novo país foi selecionado para entrar na faculdade real, para um curso de três anos, onde foi exposto a uma nova cultura, nova religião e a novos valores morais e espirituais.
Esse jovem demonstrou sua grande coragem em muitas situações no transcorrer de sua vida, mas principalmente na hora de tomar decisões em relação à sua fé. Ele teve coragem para dizer “não” quando se fez necessário, a fim de manter-se fiel a Deus.     Dizer não em certos momentos da vida e para certas pessoas não é tarefa fácil, mas Daniel foi corajoso o suficiente para fazê-lo quando se fez necessário.         
    Inicialmente ele disse “não” ao chefe dos eunucos (Dn 1.5,8). Aos jovens selecionados para aquele curso era dado um tratamento especial, incluindo a alimentação que provinha diretamente das provisões reais - “comiam da mesa do rei”. Desfrutavam da mesma alimentação durante um período de três anos. Mas havia um problema, a comida era considerada cerimonialmente imunda perante a Lei judaica, era sacrificada a ídolos. Desfrutar daqueles deliciosos pratos seria muito prazeroso, porém levaria Daniel a um ato de desobediência ao Deus a quem servia. Além do mais, era uma ordem do rei e desobedecê-la significava correr risco de morte. Mesmo assim Daniel propôs em seu coração não se contaminar, preferindo não desfrutar dos prazeres a fim de permanecer fiel ao seu Deus.         
    É oportuno refletirmos aqui - através de algumas indagações - a condição atual dos jovens cristãos: Como eles têm se comportado quando estão diante de situações em que lhes são oferecidas ou até mesmo impostas pela sociedade sem Deus, oportunidades de participar dos prazeres que infringem os princípios bíblicos? Qual a resposta que os jovens têm dado diante da possibilidade de um namoro promíscuo, diante da oportunidade de participar de baladas, experimentar bebidas alcoólicas, vida sexual ativa antes do casamento, diante da sugestão que os “amigos” dão para não obedecerem aos pais, aos pastores e à Palavra? Daniel teve a coragem de dizer não e não! E você, porventura está disposto a ter esta mesma coragem?  
    Em outra oportunidade (Dn 5) quando o rei Belsazar usou os utensílios sagrados em sua festa promíscua, vindo em seguida a receber uma dura sentença de julgamento divino através da escrita de uma mão na parede. Ficando perturbado sem que alguém pudesse lhe explicar o significado da escrita. Daniel foi chamado pelo rei e recebeu a promessa de grande recompensa em riquezas, honra e glória, mesmo assim disse não. Daniel preferiu permanecer fiel a Deus a ceder à tentação das glórias, honra e riqueza temporais, passageiras.
    A época em que vivemos fornece oportunidades de sucesso, fama e glórias, mas em geral exigem a renúncia da fé. Quantos ministros de louvor deixaram a fé para seguir carreiras seculares, cantarem ou tocarem para cantores seculares! Quantos crentes se vendem por fama e riqueza na indústria da pornografia, dos meios televisivos, em programas chamados reality show. Daniel diante da oferta do rei preferiu dizer não.   
    Por último Daniel disse não diante de uma lei que o obrigava a orar e fazer petição somente ao rei pelo período de trinta dias (Dn 6.7), caso contrário seria jogado na cova dos leões. Mais uma vez Daniel disse não (Dn 6.11). Ele continuou sua vida devocional normalmente por isso foi condenado, mas, por intervenção divina foi livre da morte (Dn 6.21-23o). Hoje todos os cristãos, principalmente os jovens, são convidados a se dobrar diante dos deuses, dos ídolos deste século, do prazer, das riquezas, do ego, do consumismo, do materialismo, etc.  Dobrar-se diante de tudo isto significa negar a fé em Cristo. A Bíblia afirma que ninguém pode servir a dois senhores.
Que nossos jovens possam, como Daniel, ter a coragem para dizer não diante dos prazeres, das riquezas e diante dos ídolos desse mundo.          

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