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29 de Janeiro de 2015

A SUPRESSÃO DA VERDADE

Pr. João Batista Rosa - Diretor do IBA

O esforço de algumas pessoas e de alguns ramos da ciência para negar a existência de Deus como Criador revela um princípio atuante neste mundo que tem como objetivo maior mudar a verdade de Deus em mentira (Rm 1.25) e lançar dúvida às boas intenções de Deus para com suas criaturas. Opondo-se à ordem de Deus, a Eva foi afirmado: Certamente não morrereis (Gn 3.4); quanto à fidelidade de Jó, foi dito: Porventura teme Jó a Deus em vão?; a Jesus foi oferecido: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares (Mt 4.9) ao que respondeu Jesus: está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás (Mt 4.10). Na resposta de Jesus encontra-se a verdadeira filosofia de vida: Deus é o único Senhor (Dt 6.4).

A Bíblia menciona um conflito evidente entre as forças do mal e as do bem, cuja conclusão se dará nos acontecimentos apocalípticos, quando Deus reclamará, definitivamente, seu direito de Criador e Senhor de tudo e de todos.  Tais forças do mal obedecem a um sistema cujo mentor é o pai da mentira (Jo 8.44), que se esforça com todo tipo de engano para negar a Deus que é a verdade (Jr 10.10), a Jesus que é a verdade (Jo 14.6), ao Espírito Santo que é a verdade (Jo16.13) e a Palavra que é a verdade (Jo 17.17). Não há dúvida, há um inimigo semeando outra “semente” no mundo e na seara do Senhor (Mt 13.25). Para o evangelista João, ele já está [atuando] no mundo (1Jo 4.3), como enganador (Ap 12.9), como destruidor (Ap 9.11) e como mentiroso (Jo 8.44). Aliás, sua missão é “jogar a verdade por terra” (Dn 8.12).

Alguns sistemas filosóficos e científicos (p. ex. o materialismo, o agnosticismo, o evolucionismo, o humanismo, o positivismo, etc.), são, na realidade, meios de se tentar jogar a verdade por terra. Já que toda ideologia que vai contra as leis estabelecidas por Deus na criação objetiva, na realidade, negar a existência de Deus, negando suas Leis. É a mesma voz serpentina com engano e astúcia (1Co 11.3). O rótulo de ciência esconde algo venenoso e ardiloso. No entanto, a verdade para os sensatos e humildes é fato tão racional e evidente que não há argumentos contrários válidos. 

            Pode-se afirmar que a existência de Deus é matéria de fé, mas, também, é a verdade mais racional e evidente no mundo. A Escritura utiliza a criação como meio de evidenciá-la. Todavia, mesmo que o homem não tivesse a Bíblia, assim mesmo ele saberia que Deus existe. Portanto, Deus é tão evidente que os pecadores precisam se esforçar para ignorá-Lo. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis (Rm 1.20). Deus criou o homem com uma estrutura que o capacita a captar aquilo que está fora dele, um bom exemplo são os sabores encontrados nas frutas. Se o homem não tivesse o olfato e o paladar não haveria necessidade delas terem as propriedades do sabor. Assim, também, Deus capacitou o homem para captar sua revelação na criação pela intuição nele existente. Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos (Sl 19.1). Só não percebe quem não quer.

Corroborando com tal pensamento há estudiosos e teólogos respeitados nos meios acadêmicos e científicos em todo o mundo. Citando Calvino, McGrath (2005) é óbvio em dizer que “Existe na mente humana, por intermédio de um instinto natural, um senso do divino... Há inúmeras evidências, nos céus e na terra, que proclamam as maravilhas de sua sabedoria”. Jean Bodin (1539-1560) diz que “não viemos ao teatro deste mundo por outro motivo que seja senão o fato de compreender o admirável poder, a perfeição e a sabedoria do maravilhoso criador de todas as coisas”. (McGrath, 2005: p 256). Deve, então, com esse potencial nato captar essas evidências e, com humildade, reconhecer que há um ser supremo, que governa sobre tudo e todos. Entretanto, o oposto disso é a impenitência que leva os homens a fazerem da mentira uma crença verdadeira e a crença na Verdade uma mentira, quando trocam a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. (Rm 1.21,23)

Nessa impenitência e insensatez encontram-se alguns que ainda sustentam o slogan de ateu. Estudiosos os classificam em ateu prático e teórico. Aquele professa o ateísmo abertamente; este se esforça por desenvolver um raciocínio que lance dúvida na existência de Deus. Estes se divide em: a) ateus dogmáticos, que negam terminantemente a existência de um ser divino; b) ateus céticos, que dizem ser a mente humana incapaz de comprovar se há Deus ou não; c) ateus capciosos, que afirmam não haver provas válidas da existência de Deus.

Observa-se que a tentativa de negar a existência de Deus não é nova: diz o néscio [insensato] em seu coração: não há Deus (Sl 14.1). Com tais atitudes encontramos muitos que viveram como se Deus não existisse, mas na hora de suas mortes reconheceram sua estupidez. Há palavras mais pavorosas do que as do ateu David Hume, quanto gritou: “Estou nas chamas!” ou as do antigo presidente da Câmara Alta inglesa, Sir Thomas Scott, quando afirmou: “Até este momento, pensei que não havia nem Deus, nem inferno. Agora sei e sinto que ambos existem e estou entregue à destruição pelo justo juízo do Todo-Poderoso.” ou ainda as do presidente do movimento internacional dos ateus Yaroslawski, quando clamou: “Por favor, queimem todos os meus livros. Vejam o Santo! Ele já espera por mim. Ele está aqui.” Então, para que lutar contra a razão? Para que se esforçar para ignorá-Lo? Já que Deus é evidente, então a pergunta que fica é: o homem não tem a capacidade de conhecer a Deus ou não quer reconhecê-Lo como Senhor?

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